Sempre fui uma pessoa acelerada e inquieta. E sempre gostei de trabalhar. Logo cedo descobri que para ter minha independência precisaria de ter meu próprio dinheiro. Então aos 15 anos comecei a trabalhar e não parei mais. Fui recepcionista de oficina mecânica, vendedora de roupas náuticas, balconista de sorveteria entre outras coisas.  Apesar dos primeiros empregos não serem muito interessantes, eles me davam autonomia e confiança. 

Quando entrei pra faculdade de Jornalismo, consegui uma vaga de atendimento publicitário no Jornal Estado de Minas com um bom salário e horário flexível. A partir daí o trabalho começou a me dar algo mais precioso: a liberdade. Todos os fins de semana eu viajava com amigos para diversas cidades do Brasil. Aliás viajar foi algo que sempre amei fazer. Seja de ônibus, de carro ou de avião. 

Já no meio do curso, fui estagiar na Rede Minas de Televisão onde iniciou minha verdadeira paixão pelo trabalho.  Eu era produtora e reporter de um programa cultural e passava os dias convivendo com arte. O dinheiro era curto, mas meu dia a dia incluía viagens, música, teatro, cinema e artes visuais. Além disso, eu não fica 8 horas por dia, 5 dias da semana, dentro de um escritório.  Eu ia pra rua entrevistar artistas e pessoas interessantes. Amava meu trabalho. Foi assim que me tornei workaholic. Fui pra São Paulo e trabalhei por 10 anos intensos com audiovisual. Ganhei dinheiro, mas não fiquei rica. Fiz muitos amigos e dei boas risadas. Mas quando percebi, estava trabalhando 12 horas por dia, 6 dias na semana.

Com o nascimento da minha filha Ana, a questão da falta de tempo que o trabalho me causava começou a me incomodar. Porém o medo e a preocupação com a falta de dinheiro me fizeram ir atrás de um emprego estável e com carga horária inflexível.  Fiquei mais alguns anos escrava do trabalho fixo até que meu sentimento em relação ao dinheiro mudou. Pra mim valia mais o tempo com que amava do que uma conta gorda no banco. E foi nesse contexto que surgiu o Contrafluxo, um projeto que levanta questões, pensamentos e práticas para se viver de uma forma mais sustentável, mais calma, mais simples e mais próxima da essência e da natureza.

Hoje digo que ainda gosto de trabalhar. Porém faço isso sempre que posso em casa.  Pago minhas contas com freelas de audiovisual e tento seguir um caminho num ritmo mais devagar e com mais tempo para a vida em si. E fazer isso dentro de um centro urbano gigantesco como São Paulo não é nada fácil; mas também não é impossível. E uma maneira que encontrei para viver o meu slow living foi percorrer o mundo documentando histórias de pessoas que tiveram esse mesmo sentimento libertador de não ficar preso no fluxo consumista urbano e nem refém do sistema capitalista exagerado. Assim, sigo em família atrás de inspirações que nos levam cada vez mais próximo do nosso Contrafluxo.

 

 

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