Faziam 3 anos que eu e meu marido estávamos nos movimentando para nos mudar de SP e encontrar um lugar onde coubesse melhor nosso estilo de vida. Foram tantos lugares pesquisados, tantas condições para garantir o bem estar nosso e das meninas, que chegamos em Barra Grande, um pequeno vilarejo com aproximadamente 1.500 habitantes, na ponta de uma linda península, a península de Maraú. Encontramos aqui paisagens maravilhosas e um novo tempo, um tempo da vida.

Península de Maraú . Bahia

Península de Maraú . Bahia

Engana-se quem acredita que vir morar no pequeno pedaço do “paraíso” não tenha seus percalços. Tem muitos, principalmente para quem está acostumado a viver em grandes cidades. Aqui o saneamento básico é precário, a casa pode ser tomada por uma invasão de mosquitos, morcegos ou aranhas. Quando chove, a internet para de funcionar, surgem goteiras por todos os lados. Pode ser que, em sua própria casa, não pegue sinal de telefone, nem3G, só bem próximo da praia. A água é salobra, os chuveiros entopem e queimam a resistência. E é frequente ter infestação de piolho, bicho de pé ou lombriga.

Mas tem criança solta correndo na praça, numa vilinha onde motorizados não entram, tem centrinho cultural que oferece aulas de capoeira, karatê e dança, de graça. Tem espirito de comunidade, diversidade social. Tem uma incrível escola comunitária e um bocado de pessoas super interessantes. Tem terça-feira que vira domingo, e termina num por do sol, de tirar o fôlego e vibrar o coração. Tem areia da praia no chão da cozinha, no pé depois do banho e na cama.

Não tem hospital, mas também não tem trânsito. Não tem caixa eletrônico, mas também não tem medo de ser assaltado. Tem sol, tem barulho de grilo, tem céu estrelado, tem coqueiros e tem um monte de arvores frutíferas. Não tem cinema, mas tem biblioteca, tem conversa jogada fora. Não tem parente, mas tem amigos que viraram família. Não tem divisão, tem repartição.

Tem sorriso, muito sorriso, brisa no rosto e muita liberdade. Tem carisma, mas também tem saudade. Aqui não tem tudo, mas também não tem nada. Deixando aqui ou ficando ali, onde há encontro, sempre haverá contrapontos.

*Martha Kater é filha de pai brasileiro e mãe francesa, nasceu no Brasil e desde pequena costuma viajar pelo mundo afora. Morou em diferentes cidades como, Cannes, Paris (onde se formou em história da arte), Belo Horizonte e São Paulo. Empreendedora, casada e mãe de duas filhas, criou em São Paulo uma empresa de coworking e participou na criação de tantas outras. Atualmente, administra seus negócios à distancia, e experimenta uma vida simples e saudável no ritmo da exuberante natureza de Barra Grande, Bahia.

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