Quem tem filhos sabe que não é fácil encontrar a escola ideal para as nossas crianças. Em São Paulo adorávamos a proposta da escola das nossas filhas, era uma escola construtivista bastante engajada e coerente. Mas com o passar do tempo, nos demos conta que o valor que pagávamos era altíssimo e inviável para a realidade do nosso bolso e do nosso país. Colocar nossas filhas em lugar tão privilegiado financeiramente, significava, além de trabalhar o dobro para pagar a escola, mantê-las em uma bolha em que apenas uma minúscula parte da sociedade poderia usufruir. E o nosso desejo sempre foi justamente outro, o de apresentar a diversidade de um mundo real para elas.

Claro que tentar educar seu filho “fora da bolha” traz muito mais dificuldade do que mantê-lo em um padrão geral e homogêneo. Mas a diversidade social entre as criança é incrível. Ser amigo de quem é diferente de você, conviver com quem tem muito menos, ou  com quem tem muito mais, sem que isso se torne um uma barreira, é uma experiência extremamente rica. Uma das grandes motivações da nossa mudança para Barra Grande foi porque encontramos aqui uma Escola Waldorf comunitária, mantida pelos pais dos alunos e por doações de pessoas que acreditam nesse projeto. Em um lugar onde a taxa de analfabetismo e pobreza chega a 70% da população, a escola dá acesso a educação para pelo menos 80 crianças carentes. 

A missão da escola aqui é ser agente de transformação social e educacional na comunidade, e isso vai totalmente de encontro com nossas aspirações! Para quem não conhece, a pedagogia Waldorf tem como premissa no ensino, formar seres humanos, antes de querer formar alunos que tiram notas altas. A antroposofia entende que, o que distingue o homem dos outros seres da natureza é a sua capacidade de decidir sobre si mesmo e de fazer escolhas conscientes. Por isso, em uma escola Waldorf, é trabalhado o lúdico, o simbólico, o brincar, a autonomia e a espiritualidade de cada criança. É respeitado o ritmo de cada indivíduo e os assuntos abordados são sempre interligados em cada área, assim como a vida real e a natureza.

É lindo ver como um projeto desse sustenta há 10 anos o sonho de tantos famílias que não têm muitas perspectivas de futuro. Muitas crianças vivem problemas de violência doméstica ou trabalham desde pequenas para ajudar os pais. E de repente chegam em uma escola onde os professores conversam sobre o afeto e os desafios da vida, oferecem uma comida saudável e cheia de amor, e ainda praticam a gratidão. É realmente emocionante se deparar com isso no dia a dia.

Para quem quer saber mais sobre a escola ou quiser colaborar esse é o link

http://www.jardimdocajueiro.com.br/impacto-social

*Martha Kater é filha de pai brasileiro e mãe francesa, nasceu no Brasil e desde pequena costuma viajar pelo mundo afora. Morou em diferentes cidades como, Cannes, Paris (onde se formou em história da arte), Belo Horizonte e São Paulo. Empreendedora, casada e mãe de duas filhas, criou em São Paulo uma empresa de coworking e participou na criação de tantas outras. Atualmente, administra seus negócios à distancia, e experimenta uma vida simples e saudável no ritmo da exuberante natureza de Barra Grande, Bahia.

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