A arte de bem viver está no conviver


Talvez um de nossos maiores desafios neste mundo seja o [bom] relacionamento com as pessoas. Se conviver é a coisa que mais fazemos na vida, todos os dias, é meio que óbvio que essa convivência fosse a melhor possível, não é mesmo?!?! Pois bem, parece óbvio. Mas, não é!

Ouso a dizer que mais difícil ainda é conviver com os que estão mais próximos. Ser gentil, resiliente e empático com quem está fora do convívio direto é fácil. Desafio mesmo é colocar-se em condição de paz com os companheiros da casa, os membros da família, os colegas de trabalho, os amigos de escola. Isso porque gente próxima funciona como um espelho de nós mesmos. E espelho reflete tanto as nossas luzes como as nossas sombras.

Recentemente eu, meus filhos e meu atual marido resolvemos nos mudar para a cidade onde mora meu ex-marido e pai dos meu filhos. A ideia era que todos pudéssemos estar juntos no mesmo local, pensando no bem-estar, na convivência e na felicidade de todos. Muitas pessoas me acham quase uma heroína por me dar bem com meu ex-marido, com quem fui casada por 10 anos. Não só me dou bem com ele, como também com a esposa dele. E meu atual marido também se dá bem com eles.

Ao contrário de muitos ex-casais que escolheram o ódio depois que separaram-se, nós optamos por manter o amor que um dia nos uniu. Claro que o desdobramento do amor não é mais o de antes, mas relacionamentos também mudam ao longo da vida. No começo, não foi uma escolha fácil.  Separações doem, frustram, decepcionam, propiciam solidão, nos enchem de culpa. No entanto, aceitar esses sentimentos, perdoar - em primeiro lugar a nós mesmos e, depois, ao outro - e ter uma boa convivência é uma escolha diária.

Isso mesmo. A escolha está em nossas mãos. Podemos escolher entre o amor ou o ódio, a união ou a separação. Nós escolhemos o amor e a união, em sentidos mais amplos, pois realmente acredito que ex-casais não precisam estar, necessariamente, separados. Eu meu marido atual, meu ex marido e a atual esposa dele conseguimos, sim, ter laços de respeito, de proximidade, de amizade e de amor.

Porém nós não podemos escolher, entretanto, a reação do outro. A forma como o outro vai se relacionar conosco é responsabilidade dele. E aí podem residir dificuldades. Mas a medida que arejamos esses relacionamentos e ampliamos a visão de amor conseguimos lidar melhor também com as atitudes do outro. O desafio é diário, ou seja, uma escolha  constante!

* Glauciana Nunes é um ser em constante transformação. Jornalista, relações públicas, blogueira e escritora, é casada e mãe de três guris. Fundou o site Coisa de Mãe (www.coisademae.com), que fala da criação com vínculo. Desde o nascimento do primeiro filho, vem caminhando no contrafluxo: deixou o modelo tradicional de trabalho, de família, de alimentação e de viver, tanto que já morou, com os filhos, um ano em um vilarejo de praia, em Imbassaí, na Bahia. Atualmente, vive em São José do Rio Preto, São Paulo.

 

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