Esses dias sofri uma queimadura séria de segundo grau, com água fervente. Na hora, de forma instintiva, eu corri para a pia e coloquei a mão embaixo da torneira. Usei uma pomada analgésica, anti-inflamatória e antibiótica. Passei a pomada e a dor e a ardência só aumentaram. Então fui para o hospital e descobri que primeiros socorros de queimadura é água, somente água. Água por dentro e água por fora. Nada além disso! Depois, só um creme a base de aloe vera, a boa e velha babosa. Com este fato, me lembrei de alguns amigos que fiz quando morei na Bahia, que me apresentaram várias alternativas à indústria farmacêutica alopática, como a homeopatia, os medicamentos antroposóficos e as ervas e elementos naturais.

Confesso que este é mais um ponto que precisamos andar no contrafluxo, já que a indústria farmacêutica, como tantas outras - a alimentícia, a da medicalização da infância, a da mecanização do parto e da amamentação, por exemplo - são massacrantes em nosso estilo de vida. Simplesmente nascemos e aprendemos a comer carne, a tomar remédio para qualquer pequena febre, a cortar a barriga para trazer um filho ao mundo, a dar fórmula em pó para o bebê porque “nosso leite é fraco”. Questionar e romper com tudo isso é um esforço imenso, que requer estudo, consciência, atitude e perseverança.

Sobre os medicamentos, algumas coisas eu estou conseguindo praticar em casa. Não dou mais remédio para a febre das crianças, pois sei que até 40 graus elas não fazem mal, pelo contrário, as ajudam a “cozinhar" suas questões internas. Bateu uma dorzinha de garganta ou de ouvido? Manda gotinhas de extrato de própolis pra dentro. Deu assadura no bebê? Aplica amido de milho direto na área afetada. Queimou a mão? Passa muita babosa pra ajudar a recuperar a pele. De certa forma, é um começo.

Sinto que precisamos nos reconectar ainda mais com nosso passado ancestral e natural. Lembrarmos mais de nossas avós, bisavós, recuperar tantas outras formas de nos curarmos. Buscar conhecimento na medicina indígena que é extremamente rica e eficaz. Porque a cura para todos os nossos males está em nossos próprios pensamentos. Então, quanto menos química usarmos em nosso corpo, mais estaremos ajudando nossa consciência a aflorar. E quanto mais consciência aflora, mais cura nós temos. Simples assim!

* Glauciana Nunes é um ser em constante transformação. Jornalista, relações públicas, blogueira e escritora, é casada e mãe de três guris. Fundou o site Coisa de Mãe (www.coisademae.com), que fala da criação com vínculo. Desde o nascimento do primeiro filho, vem caminhando no contrafluxo: deixou o modelo tradicional de trabalho, de família, de alimentação e de viver, tanto que já morou, com os filhos, um ano em um vilarejo de praia, em Imbassaí, na Bahia. Atualmente, vive em São José do Rio Preto, São Paulo.

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