O slow para transformar e equilibrar


Equilíbrio. A primeira palavra que dedico a esse espaço representa a minha percepção sobre o slow living e agora também a sintonia com a Chris, aqui do Projeto Contrafluxo. Há uns bons anos poderíamos ter nos encontrado na mesma faculdade de jornalismo, mas foi pelo slow, agora. E nada é melhor do que o tempo presente e suas conexões para fortalecer os caminhos de direções opostas da corrente do mundo.

De um longo período em que estive trabalhando com eventos e na área da moda, somaram-se a ele acontecimentos clássicos, daqueles que nos levam a rompimentos de fases para rever e aprender. Cheguei ao slow living depois de buscar uma mente renovada e experiências inesperadas indo morar na França, um berço muito interessante para se desfrutar e apreciar o bem viver. Ao voltar para o Brasil fui aprendendo como uma vida mais equilibrada e consciente acumula benefícios internos e coletivos e abre caminhos para cada vez mais encontros sintonizados.

Buscar viver de um jeito mais slow significa transformar, mas, ao mesmo tempo, é viver normalmente, apenas com escolhas mais bem pensadas com relação ao depois: o resultado dessa escolha para mim, minha casa, minhas companhias de vida, o bairro, a cidade e o planeta, casa maior. É refletir e lembrar que os impactos de cada escolha que fazemos significam para mim e para tudo. Ver o outro.

E o equilíbrio no slow living, além de sugerir aconchego e calma, chega para colocar abaixo a ideia de que estamos falando sobre uma vida “repressora”, limitada de prazeres e preenchida por obrigações. O equilíbrio atua quando naturalmente buscamos sair do piloto automático da rotina imposta, da correria, do consumo inconsciente e dos excessos; quando abrimos o olhar para a unidade que existe entre todos os seres e espaços; quando priorizamos estar bem internamente para aproveitar os prazeres da vida, dos mais simples às grandes conquistas; quando sabemos que o caminho para o slow living é pessoal, não tem prazo de validade e envolve autoconhecimento, autocura e autocuidado e quando queremos evoluir a cada dia, para ser uma pessoa melhor tanto para nosso bem estar quanto para atuar melhor no mundo.

Em uma versão urbana, rural, litorânea ou paradisíaca, o slow living é para todos e os benefícios são reais. Se saímos do conforto, saímos apenas daquela versão que nos limita e nos mantém na inércia e em um não enxergar. Porque uma vez que começamos a expandir os horizontes para os caminhos do meio, avistamos um caminhar que é para ser e fazer sentido e para trazer realizações em uma base amorosa. A seu tempo e com consistência. E disso a gente passa a não querer, e nem conseguir, voltar atrás.

* Bruna Miranda é jornalista e escritora e se inspira na busca por um viver mais consciente e significativo. É idealizadora da plataforma Review e da revista Guia Slow Living e percebe o slow como porta de entrada e fortalecimento para benefícios e transformações para o mundo, além de nos sintonizar a nós mesmos e ao meio como um todo.

 

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