Hoje, finalmente, consigo dizer que 2017 terminou pra mim. Depois de algumas tragédias de última hora, o ano acabou avassalador, passando por cima de vontades, desejos, comemorações, alegrias e renovações. Em seus últimos minutos, 2017 fez questão de dizer a que veio, causando questionamentos profundos sobre a vida. Passar o fim de ano em hospital não é fácil, e por conta dessa dor familiar, precisei estender um pouco mais 2017, que começou desafiador e terminou como um teste de sobrevivência.

Olhando pra trás e refletindo sobre os últimos 365 dias, concluo que 2017 foi um ano que realmente me tirou do lugar. Por esse lado, é gratificante ver que tive coragem para dar o primeiro passo rumo a mudanças significativas (e necessárias)  no meu estilo de vida. Foi muito importante conseguir olhar pra dentro e perceber que comodismo é bem diferente de felicidade. E que não dá para esperar o dia de amanhã, ou o emprego ideal, ou a cidade dos sonhos. É preciso ser feliz hoje, agora! Entender isso me fez olhar para possibilidades de mudanças com o coração e a cabeça mais tranquilos e com menos medo de tudo.

Assim, logo no começo do ano de 2017, decidimos - eu, Daniel e Ana - viver na nuvem, na ponte aérea entre BH, minha cidade natal, e São Paulo, a cidade que nos acolheu com todas suas qualidades e defeitos por 13 anos. O ato de tomar essa decisão me abriu várias portas para horizontes além da minha imaginação. Trabalhei bastante, viajei muito, fiquei mais próxima da minha família, conheci pessoas incríveis e aprendi a desapegar um pouco mais das coisas materiais.

Contudo, essa escolha de mudança não foi fácil, como pode parecer. E nem é o ponto final da caminhada. Mas foi um bom começo para uma vida nova, no contrafluxo, que ainda precisa ser bem mais lapidada em 2018. E mesmo com a avalanche de turbulências que vem junto a qualquer mudança, a vida aqui na nuvem segue num percurso de escolhas mais atentos e conscientes. E para esse ano novo que se inicia, meu maior desejo é ter a clareza e a sabedoria de fazer novas escolhas, diferentes do lugar comum, que possam ser sustentáveis para todos, e que contribuam para esse encontro que busco comigo mesma há tanto tempo.

* Christiana Bernardes é film maker, mãe da Ana, idealizadora do Projeto CONTRAFLUXO e pretende passar resto da vida compartilhando histórias transformadoras de pessoas que saíram do lugar comum. Está numa busca eterna por um viver melhor, sem excessos e com mais consciência. 

 

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